João Saconi On quarta-feira, 14 de maio de 2014



Questiono-me se um dia terei o meu banco e a minha estátua de frente pro mar, 
com um verso dourado escrito por mim ao lado do meu nome inscrito no assento. 

Queria saber se minha escrita será referência. 

Talvez os Doutores em Literatura algum dia leiam minhas poesias para seus alunos 
e façam comentários sobre como eu era um bom autor. Ou um péssimo. 

E talvez alguém, no auge do sofrimento ou da felicidade, 
escolha uma estrofe da minha obra para ler e sorrir e ler e chorar. 

Quem sabe um rapaz apaixonado declame minhas linhas 
em serenata e eternize-as no coração de sua amada.

Ou então que um potencial suicida desista da morte e abrace a vida 
ao ler um livro de auto-ajuda que nem pretendo escrever.

 Ah, os livros! 

Quais posições eles ocuparão no ranking do The New York Times? 
Será que os atendentes das livrarias me indicarão para seus clientes? 

Quem é que vai me ter no criado-mudo e na cabeceira? 
Será que irão me ler no banheiro? Nas noites de insônia? 
Ou dormirão em cima de minhas páginas? 

Num futuro em que não mais viverei, talvez apreciem
minha obra como sendo a obra de um grande autor.  

Ou talvez nunca cheguem a conhecer obra nenhuma.

Mas eu me pergunto sobre o agora...

Hoje, eu só queria alguém pra me ler do prefácio ao epílogo.

Quinta, 25 de abril de 2013.

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