João Saconi
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João Saconi
On quarta-feira, 14 de maio de 2014

Por algum tempo, eu quis ficar ali escondido. Como o livro distante da prateleira dos best-sellers, pouco folheado e às vezes pego por engano por algum leitor desavisado. Lida a contracapa, logo devolvido.
Como o passageiro do ônibus que quer chegar em casa e acaba mudando de estado, sem querer, depois de dormir mais do que devia. Ninguém viu. Ninguém avisou. Ninguém fez questão de acordar.
Como o panfleto daquela nova loja que inaugurou no shopping e você nem se deu ao trabalho de ler antes de jogar na rua para que o vento lesse e também não se importasse.
Como aquele filme no cinema, na última sala, na última sessão reservada para ninguém. Esquecido pela crítica! Ora, como poderiam criticá-lo se nem mesmo assistiram-no? Nem mesmo se os ingressos da outra sessão estiverem esgotados... É melhor voltar outro dia.
Como a regra que, de tanto transgredirem foi retirada da Gramática: apenas velha idéia descartada do vocabulário poético inadeqüado e antiqüíssimo.
Como o programa de TV que obriga as pessoas a mudarem de canal quando começa e voltarem ali somente após o seu fim.
Como o copo de bebida gelada que virou quente com o passar da noite e ali ficou assistindo a festa acontecer.
Como os CDs que ficaram tão esquecidos depois da chegada do MP3 que nem mesmo os fãs daquelas gravações e os colecionadores quiseram comprá-los.
Como aquela foto da máquina Kodak que alguém tirou no começo da década e não quis revelar porque havia outras mais bonitas perto daquela.
Como a estrela além das constelações que foi ofuscada pela luz dos postes e dos carros na cidade em que você mora.
Como o dia que, de tão monótono, as pessoas esqueceram e fizeram questão de fingir que não existiu. Viveram o próximo.
Como as memórias ruins que as pessoas tanto desejam apagar.
Como a música que nunca foi pedida na rádio, nem por engano.
Como aquela moça que passou e mesmo bonita, ninguém reparou.
Como a palavra que ninguém quis saber o que significava.
Como aquela antologia nunca publicada.
Como a poesia que nunca foi escrita.
O autor que nunca escreveu.
O poeta que nunca foi escrito.
Quinta, 24 de outubro de 2013.
Texto escrito para A Decadência do Anjo.
